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Novembro 25, 2005
 
Adivinhámos o golpe de 25 de Novembro
a proposito do actual momento, transcreve-se do historia e ciência a seguinte entrevista de José Pedro Castanheira:

ENTREVISTA COM HERBERT OKUN: "Adivinhámos o golpe de 25 de Novembro"

Onde estava em Abril de 1974?

Estava em Nápoles, como conselheiro político da NATO, onde funcionava o Comando Sul do Mediterrâneo.

Foi nomeado para Lisboa em...

Em Outubro ou Novembro de 1974 fui chamado pelo secretário de Estado, Henry Kissinger, a Washington. Foi depois do 28 de Setembro, com a resignação de Spínola, o que deixou o Governo dos EUA muito alarmado. Na altura, eu não sabia, mas esse episódio foi muito importante na evolução da situação em Portugal e na perda de confiança das autoridades americanas na embaixada em Lisboa.

Não foi o embaixador Carlucci que o convidou?

Foram os dois: Kissinger e Carlucci. Eu era muito amigo de Carlucci. Tínhamos trabalhado vários anos juntos no Brasil. Quando cheguei ao Brasil, eu não falava uma única palavra de português. Estive lá de 1963 a 1968.

(...)

Que instruções é que recebeu de Henry Kissinger?

Dar todo o apoio às forças democráticas de Portugal, simplesmente...E o mesmo disse Frank Carlucci.

Nessa época, Kissinger pensava que Portugal estava irremediavelmnte perdido...

Penso que não. Creio que há um certo exagero quando se diz isso. O que acima de tudo Kissinger queria da embaixada em Lisboa era boa informação. Em Agosto de 1974, o general Vernon Walters tinha sido enviado a Portugal, para falar com Costa Gomes e descobrir o que se passava aqui. Diz-se que foi uma viagem secreta. Mas não foi nada secreta, porque toda a gente conhecia o Walters e sabia que ele estava em Portugal.

Walters era o subdirector da CIA e conhecia muito bem Costa Gomes...

Sim, da NATO e da guerra nas colónias portuguesas de África. Walters conhecia toda a gente e gostava muito de Portugal e do Brasil. A verdade é que, nessa época, Kissinger não recebia informação da embaixada em Lisboa.

Porquê?

O anterior embaixador (Stuart Scott) era um distinto advogado de Nova Iorque, homem sério, mas que nada sabia de Portugal. O seu número dois (Richard Post) era um especialista em assuntos portugueses mas exclusivamente relacionados com o anterior regime. Eles simplesmente não sabiam o que se estava a passar em Portugal!

A Administração dos EUA fora apanhada completamente de surpresa pelo golpe de 25 de Abril?

Absolutamente! Tal como o dr. Caetano! Na verdade, a PIDE fora apanhada de surpresa- e não se podia esperar que nós, americanos, soubéssemos mais que a própria PIDE. (...)

(...)

Que achou de Melo Antunes?

Era um homem que pensava seriamente. Quando foi nomeado ministro dos Estrangeiros, trabalhei com ele. Nessa altura, a única coisa que sabíamos do MFA era o que a Imprensa dizia: que era marxista...Como era especialista em marxismo, discuti muito o assunto com Melo Antunes. Ele era um socialista, nada mais que isso. Muitos outros eram marxistas, como o demonstrou o Verão de 1975.

Qual era a sua análise do PCP?

Sabíamos que não era um partido de massas.

Não era um partido de massas!?

De maneira nenhuma. Era um partido de quadros- e Cunhal sabia-o bem.

Mas o PCP era capaz de mobilizar imensas multidões...

Sim, mas era tudo "fogo de vista". Eles certamente que lideravam, mas... como dizemos em inglês, "they were chiefs, but not indiens". Tinham líderes, mas não tinham tropas...

Eram generais sem soldados...

É verdade. As pessoas pensavam que eles tinham soldados devido a episódios como o "República", o jornal que foi tomado apesar de ser da esquerda, dirigido por Raul Rego, um bom amigo. Foi um episódio dramático, que aconteceu depois do 11 de Março.

Já depois das eleições para a Constituinte, de 25 de Abril...

E que o PCP perdeu. Na embaixada, previmos a ordem dos cinco primeiros partidos e acertámos completamente.

(...)

Conheceu Álvaro Cunhal?

Encontrei-o e apertámos a mão, mas não posso dizer que o tenha conhecido. Era um homem austero e com bom aspecto. Li a sua tese de doutoramento sobre os camponeses do Alentejo. Se se quer fazer um trabalho sério, tem de se estudar... Não sei se houve muita gente a ler essa tese, mas eu li-a. O PCP, durante o fascismo, era um partido de quadros. Não era como o italiano, nem como os partidos comunistas de França ou de Espanha.

Porquê?

Devido à personalidade de Cunhal. Veja o que se passava em Espanha, onde o PC também estava na ilegalidade, mas nem por isso deixava de ser um partido de massas. Mas em Portugal era um partido de generais, sem soldados, pequeno, que ganhava muito em estar no poder. Mesmo depois das eleições, ganhas pelo PS, o PCP não deixou de pertencer ao Governo, o que lhe dava uma enorme projecção.

A coligação dava-lhe acesso...

... ao poder! Dissemos muitas vezes aos nossos amigos socialistas para romperem a coligação com os comunistas- mas sem pretender interferir. No Governo, tem-se sempre algum poder. Carlucci foi sempre muito correcto e nunca interferiu nos assuntos internos de Portugal!

Nunca?

Nunca!

Mas ainda hoje se pensa que Carlucci trabalhava para a CIA.

É um disparate absoluto. É uma bobagem completa. Ele rra um funcionário dos Negócios Estrangeiros.

Da fama, nunca se há-de livrar.

Sim, claro. Naquela época havia jornais que lhe chamavam "Carluccia".

(...)

A CIA tinha muita gente a trabalhar em Portugal?

Creio que não. Esse é o tipo de mitologia criada pelos comunistas e em que muitas pessoas inocentes acabam por acreditar. Nunca foi o caso. E está a falar com uma pessoa que estava presente. Acredite que não tenho razões para inventar histórias 28 anos depois. As mentiras perduram sobre a verdade. É a mitologia da revolução.

Quais eram os seus contactos nos meios militares?

Melo Antunes, Vitor Alves... Conversámos muito com eles. Um era o ideólogo, outro o diplomata. Confiávamos neles e eles confiavam em nós.

E Otelo?

Ele não era nosso amigo, mas víamo-lo de vez em quando. Faz-me lembrar Krutchev: um homem simples, primário, nada inteligente, mas muito activo e operacional. Nunca o considerei uma grande ameaça.

E Vasco Gonçalves?

Eu não, mas Carlucci sim, quando ele era primeiro-ministro.

(...)

Dizia-se que Costa Gomes estava muito ligado à União Soviética.

Nunca acreditámos nisso. O general Vernon Walters conhecia Costa Gomes muito bem e dizia que essa acusação não passava de uma bobagem.

Costa Gomes acabou por ter um papel decisivo, de moderação.

Oh, sim! Walters tinha toda a razão. Nessa altura havia muitos rumores, em larga medida porque havia comunistas no Governo. Portugal era o primeiro país estratégico e importante da NATO com comunistas no Governo.

Diz-se que Henry Kissinger tentou várias vezes retirar Carlucci da embaixada em Lisboa.

Nunca. Se isso fosse verdade, evidentemente que eu teria sabido. Não se esqueça que eu era o encarregado de negócios. Isso é absolutamente falso.

Havia, então, uma total sintonia entre eles os dois?

Nem sempre. Uma vez, um dos assessores de Henry Kissinger perguntou-me se os jornais ocidentais ainda se vendiam em Lisboa... Ele pensava que Lisboa era Bucareste ou Sofia...

Era um assessor importante?

Se fosse realmente importante, certamente que leria os nossos telegramas. Não, não é verdade que Kissinger tenha procurado substituir Carlucci. Sei disso porque conhecia muito bem Walters, um velho amigo e padrinho de uma das minhas filhas. Walters estava em Washington, onde era o número dois da CIA e apoiava a nossa visão sobre Portugal. Evidentemente que Kissinger e Carlucci tiveram algumas opiniões diferentes- por exemplo, sobre o "República", ou sobre o MFA. Mas isso é normal. Finalmente, em Agosto, tudo se tornou mais claro.

Em Agosto? Porquê?

Com o manifesto conhecido por "Documento dos Nove". Tornou-se absolutamente claro que até o MFA chegara às mesmas conclusões que nós sobre o PCP. Desde então, o conflito tornou-se mais nítido. Porque a extrema-esquerda do PCP tornou-se desesperada. Seguiu-se o cerco da Assembleia Constituinte, o incêndio da embaixada de Espanha, e até a nossa embaixada foi ameaçada. Chegou a haver rumores de que as nossas casas seriam alvo de atentados. (...) Houve momentos realmente dramáticos, como o cerco ao Palácio de São Bento. Creio que foi um magnífico exemplo de que o esquerdismo é a doença infantil do comunismo.

(...)

Acha que Cunhal perdeu o controlo dos esquerdistas?

Não sei, mas parece que perdeu um certo controlo sobre essas forças.

Era previsível o golpe?

Teoricamente, sim. (...)

Diz-se que a embaixada americana previu
que o golpe viria a ocorrer antes do Natal de 1975.

É verdade. No princípio de Novembro, previmos que o golpe não esperaria pelo Natal. E acertámos: deu-se duas semanas depois, a 25 de Novembro. Pouco antes, Carlucci enviou-me a Washington, para dar conta da nossa análise e previsões. Saí de Lisboa a 15 de Novembro, sábado, e regressei no outro sábado, 22. Três dias depois deu-se o motim dos pára-quedistas.

(...)

Os Estados Unidos apoiaram financeiramente o PS?

Não. É outro mito. Nós não fizemos isso. Apoiámos todos os partidos, por exemplo, com máquinas tipográficas. Todos os partidos.

Incluindo partidos de esquerda?

Todos os partidos não comunistas. Mas não fomos nós os maiores apoiantes- terão sido provavelmente os alemães. E também o PS francês.

(...)

Ficou em Portugal até quando?

Estive cá cerca de três anos e meio, até ao Verão de 1978. Carlucci saiu em 1977, para Washington, como director adjunto da CIA, e eu fui para as negociações sobre armas nucleares com a União Soviética, o SALT 2.

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fim

Novembro 21, 2005
 
Sobre o Canal História
In arraiamiuda

Nunca como em períodos com alguma relevância histórica na história de Espanha, se nota ao ponto a que já conseguiu chegar o panorama televisivo em Portugal, no que respeita à televisão por cabo.

Na televisão generalista, já temos grande numero de “shows” para adormecer o Zé Povinho, e na TV por cabo, onde se podem encontrar canais específicos, as coisas começam a beirar o perigoso.

De todos os ataques contra a nossa independência, poucos serão assestados de forma tão eficiente, que aqueles que nos forem dirigidos através da televisão.

De entre essas empresas de TV, que distribuem o seu sinal através de empresas como a TV Cabo, há uma chamada MULTICANAL, que nos oferece os canais Odisseia, História, Hollywood, Biography Channel e Sol-Música.

Estes canais de televisão, são apresentados em duas linguas. A língua castelhana, como convém, aparece sempre em primeiro lugar, e na maíoria dos casos, porque as legendas são apresentadas com a mesma cor e o mesmo tipo de letra, o espectador é forçado a ler primeiro o texto em castelhano. Quando chega ao fim, e percebe que não entendeu, continua até encontrar o texto em português.

Só que nessa altura, já o texto desapareceu, implicando que ou lemos em castelhano, ou não lemos.

Nestes dias, temos sido beneficiados com tudo o que há a saber sobre Franco, em vários episódios. Ele é a vida de Franco, a guerra civil, e até programas sobre a mulher de Franco. Só ainda não sabemos a cor das cuecas da senhora, mas lá havemos de chegar.

Isto acontece, porque em Portugal, não há regulação, não responsabilidade, e a conspurcação ignominiosa da nossa história e da nossa cultura, é tida como um dado adquirido.

Quem se prostituiu, para que na televisão em Portugal se tenha instalado esta despudorada e abjecta pouca vergonha?

Não bastam as traduções insultuosas, não bastam os textos cheios de gralhas, também temos que suportar a visão espanhola da História.

Virá o dia, em que estaremos convencidos de que afinal não deviamos ser portugueses. Ser Hispano es tan bueno.


Outubro 05, 2005
 
Acabou-se o queijo? então que Viva a Espanha

No jornal SEMANÁRIO de 30 de Setembro, podemos encontrar o seguinte comentário:

Chamem o Vitorino. Ele que faça o negócio da Galp e da EDP com os italianos e os espanhóis, mesmo sabendo que eles estão concertados!" - É já voz corrente , a propósito do cerco que os espanhóis conseguiram montar a Portugal. Lisboa parece um bazar oriental, mesmo antes do encerramento. Vende-se tudo por baixo preço. Já não há "bluff" para fazer. Duzentos dias depois de Sócrates tomar o Poder, Portugal vê comprometidos, em toda a linha, os trunfos que tinha. Os espanhóis compram e corrompem empresários, políticos e até parecem contar com o apoio institucional do Estado. Já controlam o sector da cerâmica nacional, estão a entrar na construção, no turismo, no imobiliário, nas finanças e na energia. O problema português não se resolve negociando estatutos autonómicos, como acontece com a Catalunha ou o País Basco, O problema português, dizem os espanhóis, resolve-se comprando. Por isso, vender aos espanhóis é hoje o maior problema estratégico e de segurança nacional que o Governo Sócrates tem para resolver.

Há já algum tempo, que aqui e em outros lugares, se tem chamado a atenção para o momento Histórico que Portugal vive, e para a similaridade entre a actual situação e o período de 1578 – 1580, que culminou com a perda (na prática) da independência.

De uma forma concertada, organizada e metódica, obedecendo a planos longamente gizados, os espanhóis, continuam paulatinamente a tomar posições em sectores estratégicos, a comprar, a corromper, a subornar, em suma a destruir por dentro a nossa independência económica, que a médio prazo, resultará na perda da nossa independência política.

Como em 1580, não é a generalidade dos portugueses que encabeça esse movimento. Os principais responsáveis pelo saque, são alguns políticos, daqueles que melhor negoceiam por debaixo da mesa, daqueles que mais facilmente se compram e se vendem, os que se posicionaram em lugares chave, para permitir a venda aos espanhóis, garantindo uma gorda e choruda comissão e eventualmente um lugar de direcção, em escritórios de advogados ou nalguma empresa petrolífera ou do sector da energia.

Como em 1580, num pais desorientado, em crise e acabado de sair de uma derrota militar, os prostitutos apareciam por todo o lado e prostituíam-se às claras.

Nestes actos de prostituição descarada, como se lhes referiu o historiador Oliveira MArtins, os políticos e alguns empresários não estão a vender o seu corpo. Eles vendem o nosso. Somos nós, todos os portugueses que estamos a ser vendidos, por gangs de traidores, ao serviço de um país estrangeiro.

Já se escuta à boca fechada, que a própria manifestação de militares, efectuada há algumas semanas, foi instigada por pessoas com ligações num edifício de uma praça de Lisboa, onde se encontra um terminal de autocarros.

Temos que perguntar, a quem o crime aproveita?

Quem ganha com a actual situação do país, onde até o principal líder da oposição, também se junta ao coro, aumentando o sentimento de desespero e de sufoco dos Portugueses.

Não se sabe se campanhas como a de uma conhecida ladra, que fugiu à justiça embrulhada num cobertor, dentro da bagageira de um automóvel, ou de um indivíduo reconhecido como ladrão pelos tribunais, e que apenas espera pelo transito em julgado de uma sentença para ser entregue às autoridades, (e sobre o qual já existiram acusações de tentativa de homicídio) são subsidiadas por estrangeiros interessados na dissolução de Portugal.


Eu não acredito em bruxas.

Mas que as há, há!

Agosto 16, 2005
 
Aljubarrota: 620 anos
Comemoram-se no dia 14 de Agosto de 2005, seiscentos e vinte anos, desde que numa tarde de Agosto de 1385, as forças portuguesas, sob o comando do Condestável do Reino, D. Nuno Álvares Pereira, desbarataram de forma humilhante, as forças do Rei de Castela, poderosamente apoiadas pela cavalaria pesada enviada pelo Rei de França.

Segundo uma das versões, apoiada nos escritos do historiador Froissart, o intuito daquelas forças, no contexto da guerra dos 100 anos, era o de anular um pequeno mas potencialmente importante aliado do Reino de Inglaterra.
O Rei de França terá enviado cerca de dois mil cavaleiros e gente de apoio. O Rei de Castela, igualmente reuniu um exército como havia muito não se via na península ibérica. O facto de Portugal ter apoiado a pretensão do Duque de Lancastre à coroa de Castela, também foi um dos factores que levou os castelhanos a optar por suprimir Portugal.
Embora não seja possível determinar um numero exacto, acredita-se que no total, com cavalaria e homens a pé, o exército chegasse aos 30.000 homens, havendo quem considere que, com o pessoal de apoio, o exército invasor poderia atingir no total, 38.000 homens.

Esse exército marchava contra um país pequeno, e que como é normal na sua história, em períodos de crise se encontra dividido em vários partidos e facções, todas elas incapazes de dialogar e muito menos de chegar a acordo. Desde 1383, com a morte de D. Fernando que Portugal se encontra virtualmente sem Rei.

A facção que decide enfrentar a invasão, é aquela que sai das Cortes de Coimbra que em Março de 1385 declaram Rei de Portugal, D. João, mestre da Ordem de Aviz.
Porém o Rei de Castela, considera ter direito ao trono e por isso vem, pela segunda vez atacar Portugal para fazer valer os seus direitos.

O Rei de Castela, não deixou nada ao acaso. O exército que reuniu, é muito maior que aquele que cercou Lisboa de Maio a Setembro de 1384.

O exército invasor, tem um único objectivo: Destruir Portugal e incorporar os dominios da coroa portuguesa, no reino de Castela.

Portugal era na altura, como em grande medida continua a ser, um país desconhecido. Mesmo para os Castelhanos, mas muito mais para os Franceses, é apenas um pequeno reino, relativamente pobre, situado no fim do mundo, Os seus poucos nobres e cavaleiros acabarão por se render.
Um simples carga de cavalaria, deverá ser suficiente para os destruir e vencer.

No entanto, as coisas correram mal. O orgulho desmedido de alguns nobres franceses, que consideravam que poderiam sozinhos vencer a batalha, terá apressado um primeiro ataque aos Portugueses. Esse primeiro ataque foi dizimado, quer pelas armadilhas contra cavalos (tocas de lobo) quer pelas próprias forças portuguesas, que colocadas num ponto estratégico tinham vantagem táctica. Assumiram uma posição de defesa, que lhes permitiu, depois de os franceses terem rompido as linhas, voltar a refaze-las, cercar os franceses e derrota-los.

A segunda e principal vaga do ataque, ocorre mais tarde, provavelmente por volta das 18:00. As forças castelhanas avançam, estão cansadas, e exaustas. Os portugueses estão moralizados pela vitória sobre a primeira vaga e ocupam uma área delimitada por dois cursos de água, o que lhes permite concentrar as suas tropas numa frente reduzida. Os castelhanos, em grandes quantidades concentram-se para tentar atacar os portugueses. O resultado é uma catástrofe.
As forças portuguesas debatem-se tenazmente. Os castelhanos não conseguem romper a linha defensiva portuguesa, e a pressão exercida sobre os peões uns contra os outros, tornou o exército castelhano, numa mole enorme de soldados que é impossível de controlar. Ao fim de meia hora, a situação atinge um ponto tal, que o próprio Rei de Castela, perante a catástrofe, é obrigado a fugir apressadamente.

Com a fuga do rei castelhano, é a debandada total. Há ainda tentativas esporádicas por parte de alguns nobres castelhanos de reagir, mas o Deus da Guerra já tinha decidido quem era o vencedor.

Mais tarde, e durante os dias que se haviam de seguir, milhares de castelhanos, isolados, perdidos, longe de casa, foram atacados e mortos pelas populações rurais.

A vitória foi absoluta.
Dias mais tarde, o Rei de Castela entra em Sevilha, vestido de negro, em sinal de luto. Mandam-se rezar missas, a pedir perdão a Deus, pois considera-se que Castela foi derrotada por causa do pecado da Soberba.

A batalha em si, foi também um marco na história dos combates medievais, e marcou o principio do fim da cavalaria pesada, como principal arma no campo de batalha.

A derrota de Aljubarrota, terá outras consequências. Ao ter dizimado a fina flor da nobreza castelhana, a batalha atrasou os planos de Castela para se tornar na potência dominante da península ibérica e impossibilitou Castela de assumir sozinha a tarefa de expulsão dos muçulmanos do Reino de Granada. Durante 100 anos, até à batalha de Toro, onde é a nobreza Castelhana que por sua vez tem que lutar para manter a independência e evitar a incorporação de Castela no Reino de Portugal, haverá um equilíbrio instável, que acabará quando, convencidos da impossibilidade de qualquer união entre Portugal e Castela, os dois reinos assinam o tratado de Tordesilhas e estabelecem à escala planetária aquela que até ali era a divisão entre os dois reinos ibéricos.

Agosto 10, 2005
 
Portugal está perdido

O país perdeu a inteligência e a consciência moral.
Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada.
Os carácteres corrompidos.
A prática da vida tem por única direcção a conveniência.
Não há princípio que não seja desmentido.
Não há instituição que não seja escarnecida.
Ninguém se respeita.
Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos.
Ninguém crê na honestidade dos homens públicos.
Alguns agiotas felizes exploram.
A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia.
O povo está na miséria.
Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente.
O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.
A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências.
Diz-se por toda a parte, o país está perdido.

Eça de Queirós
Lisboa, 1871

Julho 28, 2005
 
E Portugal escolheu um velho para dirigir os destinos da Nação
Em 1580 a notícia chegou poucos dias depois.
O exército de D.Sebastião, havia sido desbaratado. Como um século e meio antes, aquando do ataque a Ceuta, um exército foi preparado para atacar o norte de África. No entanto, a preparação do ataque e as opções tácticas resultaram numa amarga derrota, em Alcácer Quibir.

O país, desabitado por cento e cinquenta anos de sangria humana, economicamente deprimido pela desorganização económica, dado que os lucros das viagens à Índia não chegavam para pagar os custos, encontra-se de um momento para o outro sem Rei, e sem herdeiro.

Do outro lado da fronteira, tenebroso e maquiavélico, Filipe II da família dos Habsburgo, sabe que é um forte pretendente ao trono de Portugal.

Os portugueses, desorientados, confusos como baratas tontas, não sabem o que fazer. O herdeiro legítimo - dado não haver descendência de D. Sebastião – é um velho cardeal, de nome Henrique, que velho, doente e cansado assume o trono de Portugal.

O Cardeal-Rei, no entanto, sabe ser um Rei a prazo. No país há imensos partidos. O Duque de Bragança, D. António (Prior do Crato) e o rei castelhano, Filipe, aparecem como opções.

Mas, perante um país que parece ter chegado ao fim da linha, e embora as classes populares, com o seu sentimento anti-castelhano, rejeitassem Filipe, este começa a insinuar-se como a melhor opção.

Para mais, os vários partidos estão completamente desunidos. D. Henrique foge para fora de Lisboa, onde dominam os partidários de D. António. Noutros lugares, há partidários do Duque de Bragança, e outros mesmos são abertamente favoráveis a Filipe de Habsburgo.

Seja como for, a verdade é que os partidários das varias opções, não foram capazes de se entender. Perante a possibilidade e o perigo de desaparecimento de Portugal, preferiram prostituir-se em vez de se entender. Assim, muitos dos nobres, fazem acordos com Filipe de Habsburgo, por dinheiro, tenças, subsídios e benesses. Vendem-se a um rei estrangeiro, e assinam, com a sua mão a destruição de Portugal.

Perante o vandalismo dos traidores e dos prostitutos, o pobre e velho Rei, nada podia fazer. Fraco e pressionado por toda a gente, fez o que lhe pareceu melhor e entregou o país a quem mais pagou. Assinou a sentença de morte de Portugal e morreu.

Os nobres que se prostituíram, encontraram forma de, “dourar” a pílula, garantido a existência formal do Reino de Portugal. No fundo, os vários reinos dos Habsburgo eram apenas uma confederação sem qualquer nexo entre si, o que de facto era verdade.

Sessenta anos depois, aqueles que se prostituíram e venderam o país, verificando que a opção espanhola tinha fracassado - mergulhando Portugal numa situação ainda mais miserável que a anterior, o que prejudicava as tenças e os subsídios - decidiram armar-se novamente em patriótas e revoltam-se contra aqueles a quem tinham beijado os pés.

Do povo ficaram versos que explicam o sentimento popular:

Viva el-rei D. Henrique
No inferno muitos anos,
Pois deixou em testamento
Portugal aos castelhanos.

425 anos passaram.
No entanto, num período de decadência, quando alguns empresários se prostituem aos espanhóis vendendo Portugal por “tuta e meia”, utilizando os mesmíssimos argumentos daqueles que se prostituíram em 1580, ( o argumento de que a tomada de Portugal pelos castelhanos não se pode evitar); Quando os vários partidos se digladiam, preferindo o debate político, como se este fosse um objectivo em si mesmo, em vez de tentarem defender os interesses do país; Quando o país parece afundar-se...
Mais uma vez, Portugal, qual barata tonta, prepara-se para considerar a possibilidade de ter um vetusto político como supremo magistrado da nação.

Tragicamente a História repete-se


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